"É verdade. O amor é brega.
Escovando os dentes de manhã
Na janela
O amor é brega...
Eu quero um", já dizia Cazuza.
Uma de minhas praias é o romantismo. Durante muito tempo, não me considerava romântica. Na minha cabeça, eu era pragmática: queria um namorado e ponto. O mesmo que todas as pessoas da minha idade desejavam, pensava. Chegava mesmo a achar ridículo casais que não conseguiam desligar o telefone.
- Ah, amor, desliga você primeiro!
- Não, eu só desligo depois de você, amor. (Nossa! Como isso me parecia meloso.)
Até que tive meu primeiro amor e descobri esta característica minha. Sim, realizei também que ser romântica não é qualidade nem defeito, é apenas uma característica. Há inúmeras pessoas que são extremamente amorosas e não são românticas. Daí que, na minha opinião (sem querer tirar o mérito do meu querido Cazuza), não é o amor que é brega, o romantismo que é. Que faz a nossa classe (a dos românticos) escrever bilhetinhos diários para o amado, copiar letras de música e de poesia para presentear nossos amores, tentar aprender a cozinhar (mesmo que a gente não tenha o menor interesse) só para preparar um jantar romântico e gostar de comédias românticas, cheias de clichês, e com roteiros altamente previsíveis.
Acho que todos os românticos quando se descobrem assim se sentem um pouco frágeis e vulneráveis. Até então, era como se tivéssemos um escudo que não nos permitia sucumbir a essas emoções "menores". Atenção, eu não estou falando do amor, esse sentimento universal e sublime. Falo do romântico, do cafona... Li, em algum lugar, que os românticos são aqueles que amam o amor. Concordo. Dizem as boas línguas que o amor verdadeiro é altruísta, quer o bem do ser amado. Já os românticos tendem mais pro egoísmo. Amam mais o amor do que o objeto amado.
O romântico é aquele sujeito que se considera culto, fã de Borges, Saramago e Guimarães Rosa, apreciador da obra de Tom Jobim e Chico Buarque e que, um belo dia, se pega ouvindo "Um Dia de Domingo", na voz de Tim Maia e começa a teorizar sobre a profundidade dos versos de Sullivan e Massadas (só pra lembrar: eles são compositores de nove entre dez hits do pop-brega brasileiro, incluindo os maiores sucessos de Sandy e Junior).
De repente, essa música traduz todos os seus sentimentos e é como se os textos mais rebuscados perdessem importância para verdades como: "Eu preciso te falar/Te encontrar de qualquer jeito/Prá sentar e conversar/Depois andar de encontro ao vento/Eu preciso respirar o mesmo ar que te rodeia/E na pele quero ter o mesmo sol que te bronzeia... Faz de conta que ainda é cedo/Tudo vai ficar por conta da emoção/Faz de conta que ainda é cedo/E deixar falar a voz do coração".
Frases como: "sinto como se meu coração tivesse sido flechado e fez com que eu ficasse enfeitiçada por você" passam a fazer sentido. Acreditem, eu mesma já cheguei a escrevê-la, em um dos meus bilhetes românticos. Faz parte.
Uma das minhas observações recentes sobre o tema é que o romantismo independe da pessoa com a qual estamos nos relacionando. Uma vez romântica, você será sempre romântica. Por isso, o lance é não se grilar caso um relacionamento termine ou aquele flerte não dê certo. Você vai se acabar de chorar, se trancar no quarto por dias ouvindo as mais românticas e "profundas" canções e realmente vai doer muuuuuuuito. Parece que o mundo acabou um pouquinho.
Mas com o tempo - que cura tudo - aparecerá outro na sua vida e você poderá voltar a exercer sua veia romântica, enchendo de flores, cartões e presentinhos o ser amado, imaginando passeios de mão dada, decorando poemas de amor e frases bonitas... Aceite sua natureza e seja feliz.
Namastê!
Quem sou eu
- Eu e minhas praias....
- Sempre gostei de escrever pra desabafar, então este é o objetivo maior deste blog. Sou carioca, amo o sol e o mar. A natureza me faz sentir viva e perto de Deus. Além dela, são meus amigos, a coisa mais valiosa que possuo. Sou jornalista e gosto muito mesmo de cantar. Recentemente, estou apaixonada pela ioga e suas posturas restauradoras. Tenho sonhos a realizar, frustações para lidar, hábitos para modificar e muitas praias a explorar - não apenas no sentido literário da palavra - e muito amor no coração (É o que me salva). Namastê!
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
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